Criar uma familia

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Criar uma família e um lar com alguém é muito diferente de namorar. (E atenção que namorar é maravilhoso!) É um compromisso diário, é um promessa de dedos mindinhos enrolados um no outro que dura o resto da vida.
É estar com o outro mesmo quando não apetece, mesmo quando odiamos tudo e toda a gente, mesmo quando o outro está mal disposto e “estraga” o nosso bom humor. É ter alguém a entrar pela casa de banho quando nós lá estamos porque está com pressa e tem de pagar os dentes, é olhar para as meias a meio do dia e ver que o calcanhar está de fora porque tiraste as meias 42, não as 36. É dividir o cobertor e a ultima bolacha de chocolate que nós queríamos mais que tudo. É ver o velocidade furiosa 4 quando naquele dia só te apetecia ver o diário da nossa paixão. (Sim pela 100 vez e chorar como se fosse a primeira). Viver a dois é um desafio constante porque o outro mora em nossa casa mas não na nossa cabeça. É muitas vezes ter de dizer que a toalha tem de se estender depois do banho,que o jantar tem de se comer quente e que a roupa que afinal não se usa não é para ficar num canto atirada. É aprender que ter razão não é a coisa mais importante do mundo e aprender que não se pode dormir zangado. Mesmo depois da discussão e do quase fim do mundo, há sempre um pé que encontra o outro no fundo da cama e que fica colado no outro como quem diz “sim, isto é fazer as pazes”.
Viver a dois é aprender que os filmes nos andaram aldrabar. Não nos vão dar flores todos os dias, nem levar a andar de balão nem fazer poemas. Mas há outras provas de amor, como ver o harry potter todos os domingos sem refilar, arrumar a louça toda para que eu não tenha de me mexer e dizer “vai dormir, eu trato de tudo.” Há qualquer coisa de muito romântico no “eu trato de tudo”. Viver a dois é passar pelas dificuldades e pelas crises sabendo sempre que nada de mau pode ser maior que a vontade de ficar. E muitas vezes o amor é só ficar. Sem dizer nada. Viver a dois é saber perdoar e é também aprender quem são o Adrien, o William e o Slimani. Viver a dois é respirar fundo e voltar para a sala com um sorriso depois de vermos que o tampo da casa de banho está levantado, mais uma vez (respira). Viver a dois é a maior e melhor aventura dos crescidos e eu ainda estou a tentar perceber como é que me deixaram aqui entrar. 

10Comentários

  1. Mariana Dalot says:

    E que dois incríveis ❤

  2. Marta Rosa says:

    Olá Carolina, primeiro queria desejar-te tudo de bom, pelo pouco que te tenho conhecido pela net vê se a excelente pessoa que és. Bem, também sou mãe de um lindão de cinco meses e por vezes inspiro-me na tua força. Amo a sinceridade das tuas palavras e a forma como sem vergonha mostras aquilo que és e naquilo que acreditas. Espero que corra tudo bem com a tua horinha do Benjamin e que eles venham a crescer juntinhos e muito fortes. Este texto é como um espelho para mim rsrsrs Sem tirar nem pôr esta é a realidade de uma vida a 2,3 ou 4.
    Continua a ser quem és, procurando a perfeição sabendo que nunca seremos perfeitas.

    Beijinhos com muita curiosidade de ver o que vem por aí no blog 🙂

  3. Rute melo says:

    Adorei o blog acho-a uma pessoa bastante simples e gosto de seguir os seus posts . Vou ficar atenta as publicações neste blog , senti me compreendida quando os li . Pois também estou grávida de 6 meses e é de um menino também e também já acho que estou a fazer uma barriga enorme :p
    Obrigada por partilhar estes momentos magicos.

  4. Helena Santos says:

    Fabuloso…
    A forma como escreves é fantástica. Permite-nos identificar, perceber que “afinal, és como nós”, com os mesmos receios e vontades.
    Faz perceber que, apesar de cada um nós ter a sua história, aqueles que nos entram pela tv, aqueles que cantam na rádio, não são assim tão diferentes de nós, pelo menos, tu não és. És humana, não virtual. Sentes, choras, ris, amas da mesma forma que qualquer um de nós… é o que sinto ao ler o teu blog, sinto-me próxima de ti e identifico-me muito com o que escreves.
    Obrigada pelo teu contributo. és de facto extraordinária.
    Muito amor para a tua vida e beijinhos carregados de raios de sol para iluminar mais o teu dia e a tua vida, a vossa vida. 🙂

  5. Cristiana Brito says:

    ola Carolina
    Já li quase todos os posts, gostei de todos, tens um talento incrível não só para a música, os teus textos acabam por nos fazer viver com as tuas palavras! E este texto é o exemplo disso, eu e o meu namorado vamos viver juntos e confesso te que me assusta porque nós somos tão felizes e as pessoas dizem sempre que a vida de casado” estraga tudo. Que tenho medo!
    Mas tranquilizaste me com as tuas palavras e com a tua experiência! Obrigado por partilhares um pouquinho da tua vida conosco! Um beijinho e parabéns

  6. maria joão says:

    *lavar os dentes 😉

    adoro, obrigada pela partilha 🙂

  7. Sara Baptista says:

    Que lindo Carolina, identifico-me com imensas frases, é um desafio sem dúvida mas vale muito a pena! Obrigada pelas tuas palavras lindas =)

  8. Andreia Cruz says:

    Olá Carolina. Eu sou a Andreia de 28 anos e também estou nesta aventura de “viver a dois” neste caso a três, porque também já temos o nosso príncipe Santiago (temos bom gosto 😊) de quase 14 meses. Venho apenas para desejar muito sucesso para o blog, carreira e vida pessoal! E dizer que gosto imenso da forma como escreve e exprime as suas emoções: autêntica e genuína! O sentimento que fica é de que não estamos só nas dúvidas, nas descobertas, nos amores e desamores da vida!! E é muito bom podermos encontrar estes pequenos refúgios que nos lavam a alma e nos fazem reflectir sobre aquilo que temos de mais precioso: partilhar o amor uns com os outros! Continuarei atenta ao blog. Um grande beijinho

  9. Adriana Gonçalves says:

    Cada palavra que escreveu faz todo o sentido para mim e revejo-me em cada uma. Tenho um filho com 16 meses e tanto eu como o meu marido ajudamo-nos mutuamente para que o nosso objetivo de construir uma família seja cumprido todos os dias. Obrigada por cada palavra, pois acho que é uma inspiração para muitas pessoas é um bom exemplo de como construir uma família. Felicidades para os 4. Beijinhos

  10. Cátia Ribeiro says:

    Se há algo que tenho aprendido no viver a dois é que tampos de santas levantados ou roupas ao canto do quarto, ou qualquer outra coisa que nos parece super importante e que o outro parece fazer o oporto só para nos irritar (sendo o outro quase sempre o membro masculino da casa), são contrariedades irrelevantes na sua essência, são o que nos ensina a rir e flexibilizar da seriedade com que levamos a vida, as chamadas de atenção que nos relembram que a vida é mais do que uma casa “a la capa de revista”, que o que achamos certo e errado não é mais do que um ponto de vista. Ensina-nos a relativizar, negociar e puxa pela nossa criatividade para como vamos resolver ou contornar o “problema”. O que nos irrita diz mais sobre nós mesmos do que sobre a situação em si. 🙂

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