“Havia de ser meu filho”

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“Havia de ser meu filho”

Pensei-o muitas vezes quando via miúdos a fazerem birras deitados no chão do shopping a darem às mãos e aos pés e a chorarem compulsivamente. Julguei as outras mães antes de ser mãe, julguei-as muitas vezes porque não entendia o grau de dificuldade e as provações pelas quais passamos. Julguei porque é o que fazemos, erradamente. Olhamos para os outros e achamos sempre que faríamos melhor e que eles estão a fazer tudo errado. Mal sabia eu que quem estava errada era eu.

Educar é a tarefa mais difícil do mundo, e não o é só pelo facto de ser trabalhoso, mas sim porque nos leva ao desespero algumas vezes. Às vezes sinto que já esgotei todos os recursos e todas as ideias, que já tentei de tudo e o meu filho continua a agir como se eu não estivesse a dizer nada, como se não me ouvisse. Esta fase tem sido um desafio, já vira a cara a quase tudo para comer, já repete coisas que sabe que estão erradas para me testar, e o mais difícil de tudo: já se sente frustrado quando algo lhe é negado e atira-se para o chão a chorar como se o mundo fosse acabar. Eu deste lado vou tentando de tudo : fazer receitas novas, disfarçar os legumes no arroz, senta-lo e explicar-lhe calmamente que não pode fazer certas coisas e até fingir que não estou a ver quando ele está a fazer birra na esperança que passe. É inevitável sentir que estou a falhar algumas vezes. Principalmente porque depois existem aquelas pessoas que só têm exemplos para dar que nos fazem sentir péssimos pais sabem? Aquelas pessoas que dizem “mas noites?! Não sei o que é isso o meu sempre dormiu 12 horas?! “Birras? Zero. O meu por acaso é um bem disposto!” “O meu por acaso adora comer! E adora sopa”. Por isso mesmo deixei de ouvir as opiniões alheias e todos os conselhos que ouço são-me dados pela pediatra maravilhosa dos meus filhos : a Doutora Joana Appleton Figueira, que acabou por se tornar numa grande e preciosa amiga.

Com as suas directrizes e com muita paciência, vou aprendendo o que é isto de educar e de criar rotinas, limites e regras. É muito mais difícil do que parece!

Por isso quando virem aquela criança a espernear, reparem que em 90% dos casos está uma mãe ou um pai atrás exaustos a tentarem fazer o melhor que sabem. Não os julguem, amanhã somos nós.

“Havia de ser meu filho” pensava eu. Agora é mesmo. E eu, como todas nós, faço o melhor que sei com muito amor e muita paciência.

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1Comentários

  1. Joana says:

    É bem verdade! E às vezes parece que as pessoas perguntam só para depois dizer que estamos a fazer tudo errado e que a educação delas é que é fantástica… Parece que são elas que dormem na minha cama e que me limpam o chão da cozinha…
    Agora optei por dizer que está tudo ótimo, assim não têm o que dizer!

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