O meu rapaz

Colocado em

Quando o teu irmão chegou, fiquei aflita porque não sabia qual seria a tua reacção. Ainda eras e és tão pequenino, que tive medo de não conseguir dar-te a atenção que mereces. Nos primeiros dias em que fiquei na maternidade, liguei à tua avó e pedi que te trouxesse para perto de mim, nunca tinha estado tanto tempo longe e tinha o coração apertado, chorava e sorria ao mesmo tempo. Estava tão feliz e ao mesmo tempo tão triste e a morrer de saudades tuas. Chegaste e saltaste para o meu colo, afoguei o nariz nos teus caracóis e apertei-te nos meus braços. Era muito difícil adormecer naquela cama do hospital sem te ter ao lado, acordava milhares de vezes em sobressalto a achar que te estava a ouvir chorar e quando percebia que não estavas ali, desatava a chorar sem conseguir parar.

Tive medo que pensasses que eu tinha desaparecido, sei lá, até tive medo que te esquecesses de mim! Voltei para casa e ainda não podia pegar-te ao colo, agarravas-te as minhas pernas e levantavas os braços a chamar por mim, e eu contra todas as ordens médicas, trazia-te para o meu colo e sentava-me a cantar canções que te fazem sorrir.

Quando chegaste descobri um amor que não sabia que existia, descobri que o corpo aguenta todas as noites sem dormir, todas as crises e todas as birras, descobri que não existe “demasiado colo” e descobri uma nova vida. Descobri um pai no meu marido, o melhor pai que conheço, o pai que sempre sonhei para ti e descobri em mim uma mãe, que apesar de inexperiente, se dedicou de corpo e alma a aprender tudo o que era preciso.
Dizem que eu te trouxe ao mundo, mas quem me trouxe o mundo foste tu. Ensinaste-me a amar incondicionalmente, ensinas-me até hoje e hás-de continuar a fazê-lo.

Cresceste tanto. Já tens a tua maneira de ser, tão própria e tão apaixonante. Vives no teu mundo, com os teus brinquedos, com a tua calma e serenidade. Não gostas de confusões nem de multidões, não das confianças a estranhos nem gostas de ser contrariado (estamos a trabalhar essa parte). Tens os olhos mais expressivos que alguma vez vi, são olhos de quem entende tudo, olhos de quem vê coisas que os outros não vêem.
Hoje ao ver-te passear no parque, ao ver o rapaz em que te tornaste voltei a dizer baixinho “obrigada, obrigada”. Digo-o tantas vezes desde que sou tua mãe.

Meu rapaz, meu primeiro amor, gostava de parar o tempo só para te poder ver no jardim, gostava que os meus olhos fossem capazes de fotografar e guardar todos os teus gestos. A vida é muito mais bonita desde que te tenho.

Mãe

  

 

  • Partilhar

0Comentários

Deixe um comentário

O endereço de email não será publicado.